sexta-feira, 20 de junho de 2008

EPIDURAL: sim ou não?

Vindas de perto ou percorrendo muitos quilómetros, recorrem a maternidades das quais, muitas vezes, só sabem uma coisa: ali podem socorrer-se da analgesia epidural.
Uma técnica com menos de meio século de existência que já se tornou uma prática diária em grande parte das maternidades e hospitais de Portugal.

Tudo por um parto sem dor

A epidural é uma técnica de analgesia regional que visa bloquear o estímulo nervoso conhecido como “dor”, de modo a que não seja percepcionado pelo sistema nervoso central.
Recomendada como a analgesia indicada para diversas situações ficou, no entanto, conhecida pela capacidade de proporcionar às mulheres um parto totalmente consciente e sem dor.
Sofia, nome fictício, deu entrada nas urgências da Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, já em trabalho de parto efectivo.
Foi acolhida e avaliada pela equipa que a reencaminhou para a Unidade Materno-Fetal.
Com três centímetros de dilatação e prestes a ser mãe pela segunda vez, Sofia confessa que já não se recordava das dores provocadas pelas contracções do trabalho de parto e questiona as enfermeiras, por diversas vezes, sobre a possibilidade de se socorrer da “técnica milagrosa”.
Helena Gomes, enfermeira desta unidade há doze anos, explica que, à medida que as contracções e as dores vão aumentando, “a ansiedade das gestantes cresce e os receios sobre a epidural transformam-se, frequentemente, na certeza de a quererem utilizar”.

O "tão-esperado" momento

Quando as parturientes entram na Sala de Partos, a equipa de enfermagem procura desmistificar os preconceitos que envolvem a técnica de analgesia epidural e esclarecer que este é, sem dúvida, o método mais eficaz de superar a dor.
Depois da decisão tomada, é o obstetra que avalia a paciente, despista contra-indicações e propõe ao anestesiologista a epidural.
Auxiliado por um enfermeiro do Bloco Operatório, o anestesiologista aplica na parturiente um analgésico capaz de reduzir a sensibilidade dolorosa, através de um cateter que é colocado no chamado espaço epidural e que permanece no local até ao nascimento do bebé.
Florbela Cavaleiro, enfermeira da Sala de Partos há quase oito anos, conhece bem as diferenças entre um parto com e sem epidural.
A especialista em saúde materna e obstétrica garante que “uma parturiente que levou epidural está muito mais tranquila e vive o parto de forma bastante participativa”.
De facto, cerca de 20 minutos após ter-lhe sido injectado o analgésico, Sofia aguardava o momento do nascimento com um sorriso rasgado e já praticamente sem dores.

Profissionais de Saúde aconselham?

O trabalho de parto pode ser um processo longo e doloroso que nem todas as mulheres são capazes de suportar, pelo que, actualmente, só uma taxa muito reduzida de parturientes diz não à técnica de analgesia epidural.
Talvez este factor possa justificar a diferença de afluência que distancia a Maternidade Bissaya Barreto de maternidades e hospitais como o de Leiria, onde o recurso à técnica não é garantido 24h por dia.
António Rodrigues, enfermeiro do Bloco Operatório há sete anos, não hesita em aconselhar vivamente a técnica.
Da mesma opinião parece partilhar Victor Melo, médico especialista em ginecologia e obstetrícia, que afirma que uma parturiente a quem foi administrado o analgésico através da epidural “está calma, óptima e com bom-astral” para colaborar e participar melhor.

domingo, 8 de junho de 2008

Em entrevista...

O jornalista Francisco Salgueiro estreou-se na literatura nacional, em 2003, com o irreverente Homens há Muitos.
Três anos e dois livros mais tarde, chegou às bancas outro sucesso: Os Homens das Cavernas também oferecem Toblerones.
Francisco Salgueiro é, ainda, co-fundador de Letras Digitais, a primeira empresa portuguesa a fazer conteúdos para Televisão, Internet e Televisão Interactiva.Vamos conhecer melhor alguns dos seus projectos...

1. Homens há Muitos foi o livro de estreia de autor, em ficção, a vender mais em 2003. Como encarou o sucesso da sua primeira experiência na literatura?
Encarei de forma normal. Porque falar de sucesso cá em Portugal é sempre muito relativo. Aquilo que é um sucesso no nosso país, é um flop num outro grande país europeu. A realidade dos números é assustadoramente diferente.
Acho que é muito importante termos os pés bem assentes na terra e percebermos que não somos nem mais nem menos porque temos um livro que vende uns milhares de exemplares.

2. Como surgiu o projecto Letras Digitais e qual o seu papel no seio desta empresa?
Surgiu numa altura em que era free lancer, escrevendo para vários jornais e revistas e coincidiu com o aparecimento da internet em grande força, em Portugal.
Havia a necessidade de conteúdos escritos para sites e, posteriormente, para a televisão interactiva. Como não podia escrever tudo sozinho e como o excesso de trabalho era cada vez maior, houve a necessidade de criar uma estrutura.
Neste momento sou o sócio gerente da empresa.

3. Como foi a experiência de trabalhar para os Estados Unidos?
A hipótese surgiu através de uma amiga minha que tem conhecimentos na área de produção cinematográfica nos Estados Unidos.
Foi uma experiência muito interessante, tanto em termos de conteúdo de escrita (foram os primeiros guiões que escrevi e têm uma linguagem totalmente diferente de um livro), como em termos de mercado (o funcionamento profissional com que encaram a produção de filmes é totalmente diferente daquilo que existe em Portugal).

4. Como classificaria o actual jornalismo português?
Está cada vez mais ligado aos interesses dos grupos económicos onde os meios de comunicação estão inseridos.
Todos defendem virtudes, mas, no fundo, todos acabam por ser escravos das administrações e accionistas.